terça-feira, 28 de outubro de 2008

MINHA ESPADA CHAMA-SE ADÉLIA

A revelação é isso: os passos tornam-se dança, o som revela uma música e a palavra, sem pressa, toma o minuto significado e se torna poesia.
Como é bom ouvir Adélia Prado. Como é bom se deixar invadir por uma mulher. Voltei apaixonada por uma mulher - acredite! Na verdade não sei como definir o seu gênero, talvez o melhor seria colocá-lo aos lados das gotas de chuva, das hortênsias, grilos e pererecas com os quais convivemos nesses dias - curtos dias, longas descobertas.
A vida é mesmo engraçada, vamos em busca de conhecimento e trazemos vivências tão intensas que passamos do individual ao coletivo rapidamente. Mas um coletivo solidário, um cálice receptor de lágrimas, de sons, de murmúrios que saem de nós diante da palavra.
Eu que tinha medo de me tornar envelhecida, que me sentia perder o viço,e a liberdade com o passar dos anos, descubro uma nova dimensão para o tempo, é tempo de viver! De repente quero acelerar o relógio, quero meus cabelos brancos e os óculos como companheiros. Eu, que adoro escrever, encontro mais uma companhia para as emoções: os sons de Adélia Prado, a sua voz a recitar e a nos convidar a viver.
Manchas tornam-se cores;
gotas de água,orvalho;
Movimento, dança
e a palavra, poesia.

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